sexta-feira, 17 de junho de 2011

Fim e fim de tarde


.
.

E hoje escutei teu chamado
Triste , depressivo , doente
Longe da centelha brilhante de outros tempos
Um pedido que nem sequer se sente

Envolta em névoa pairavam tuas palavras
Indecifráveis fins de frases
Uma fala monótona e ébria
Que nem de longe lembra o desejo
E os desejáveis fins de tarde

Bastou uma só pronuncia para ver tua alma
Sendo eu que mais lhe conheço
Até mais que julgas você mesma conhecer
Estava sem fim e sem começo
Sem fim de tarde ou amanhecer
Entre o fugaz e sem preço
Entre o “lhe esqueço”
Para tentar me esquecer

A carne continua a mesma
Estamos ali ... você e eu
Depois de tanto tempo sozinhos
Enfim dividimos o mesmo ar
Apesar de termos seguido o mesmo caminho

Tua voz já não sai
Recosta teu rosto em mim
A carne continua a mesma
Estamos ali ... você e eu
Sendo eu que mais lhe conheço
Apaga-se a chama que não mais arde
Uns o chamariam de fim
Ou mais um fim de tarde...

FABRICIO MARCHI

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Será?


.
.
O desespero do homem e suas mascaras
Moldadas , rotas ... disformes
Na inquietude da alma trêmula
Acorda feroz enquanto dormes

És nada alem de conceitos
Colados conforme seu estado de espírito
Fadados a cair ao chão a primeira ventania de verdades
E não há necessidade de palavras ou gestos
O monstro que grita a sua ignorância , não precisa de voz
Alimenta-se do teu próprio silencio quando estás só

Quando lutas , não sabes bem ao certo porque
Congratula-se pelas feridas que não o mataram
Enquanto a alma agoniza , fria , sob o vento gelado
Agradaria um carinho
Mas recusa-se a aceitar e permaneces parado

O homem busca a paz
Nem que a guerra proclame
Não importa quantos morram por sua causa
E impede que alguém lhe reclame

Acorde homem!
Não passas de um punhado de mentiras
Pragueja , enraivece e mostra ira
“Não amo , não sofro , não consolo”
Mas não é mais que uma criança
Buscando lembrança
A procura de colo ...

FABRICIO MARCHI

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

***

.
.
Um dia espero de coração morrer de verdade
Pq já morri mil vezes
Cobram-me ainda estar vivo , pois o merecimento da morte não condiz
Com quem se diz tão feliz

Já chorei tanto que de tão só afogaria-me em minhas lagrimas
Mas mesmo assim devo sorrir
Pois a vida é tão cheia de beleza
Que não procede o choro
Nem precede a tristeza

Deixem-me em paz
Deixem-me remoer o que ficou pra trás
Tragam-me algo pra dormir
Para que o velho dia morra
E assim eu possa descansar
E mais uma morte passe por mim
Para quem se conforma diga
“Foi melhor assim” ...

Fabricio Marchi

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

CONFIANÇA

.
.
É de minha tristeza que se levantam os demônios
E de meu silencio , ecoam vozes de dor a tanto reprimidas
Sorrio pois ainda me resta alguma graça
Mas amargo gosto desce na garganta antes que satisfação tenha ou faça

Não penses que me abstenho de toda visão
Mesmo que torpe e embaçada
Ainda consigo enxergar pela janela suja do medo
Onde ainda me encontro

Como pisar em cacos de vidros
Amparado pela anestesia
A angustia de esperar pela dor
Atormenta mais que a própria

Estou , em meu disfarce a acompanhar os passos
E de minha aparente ignorância , finjo vislumbrar o sol
Impercebível é compreender que para a luz não presto mínima atenção
Atento estou , em meu disfarce a acompanhar os passos ...

Não me engano , não ignoro e por conseqüência , não satisfaço-me
Há e sempre haverá a guerra em meu peito
Não penses que a bandeira branca que ergui , simboliza alguma paz
Levantei-a amarrada em minha lança
E ao menor descuido usarei do alvo pano
Como forca para os erros

Olho-vos nos olhos
Mas nunca vislumbrei sua cor
Enxergo tua alma
E mesmo que de melodia tosca quisesses uma sonata compor
Não tivesses nem inspiração e nem mesmo calma

Não apontes a adaga em meu coração
Sem ao menos encarar minha fronte
Enquanto caminhas encontrando falsas certezas
Prefiro atravessar a ponte ...

Fabricio Marchi

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Lapso pra escrever

Admito que cada um de nós tenha suas prioridades
Seus gostos e objetivos
Mas não entendo como um homem pode viver sem amar
Ou mesmo sentir que não é amado
E se apegar a sua carreira , a seus bens ... como desculpas pela falha de não sentir Amor

Que graça há em ter o que os olhos vêem ?
Que graça há em sentir apenas o que o corpo deseja ?
Viver arraigado e condicionado ao que convencionaram de amor ?

E ver no fim da vida que há um vazio que não se completou

Que com desconfiança vc viu o AMOR , mas achou uma banalidade...
Que a possibilidade de entrega , sem interesse , sem bens , apenas por se deixar ir estava ali , e optaram por deixar passar !

Quero ser mendigo
Não ter absolutamente nada
Chegar no mesmo final de vida sem posse alguma
Mas que de uma forma ou outra , sinta que fiz parte de algo alem do que a terra me proporcionou !
Morrer feliz pq amei
Fiz alguem feliz

Então deixo que morram em seus conceitos que lhes travam
Em desejos egoístas de que , o que vale é apenas o que se sente e não o que faz tão bem a alguém que lhe quer bem !

Eu digo ... AMO
Louco , inconseqüente e sem pudor
Deixo a vcs o que lhes satisfaz superficialmente
Vou a procura de um sorriso espontâneo
Da pele arrepiar pelo toque da alma
Vou em busca do destino de quem aqui vive
Nascer e não se importar com o mundo
Morrer e dele nada levar
Apenas a Paz de ser feliz

Vc consegue comprar isso ??

sábado, 19 de junho de 2010

Pequena cronica sobre a velhice e o tempo que se foi ...


.
.
Adquiri a estranha mania de olhar nos olhos dos velhinhos
Ou nem tão velhos assim
Sentados em suas varandas a olhar o dia que se vai
Ou fazendo suas compras no supermercado
E entre uma gôndola e outra percebo quão distantes observam
Contemplando algum desencontro entre o falso descanso da cadeira de balanço
E seu sorriso contido , como se quisesse dizer algo

Das suas gavetas cheias de remédios
Muitos deles são como pílulas da sobrevivência
Não pq são necessários de verdade
Mas pq sem eles a vida se torna insuportável

Uns tranqüilizam o monstro que a anos atormenta
Outros acordam a esperança de que ainda há chance
Mas ao fim do efeito ... caem os pedaços !

Vejo nos olhos de muitos a serenidade
Da felicidade vivida plenamente e que agora merecem descanso acalentando e ensinando a quem não sabe andar na vida
Mas a grande maioria me parece um tanto frustrada pelo caminho que fizeram

Uns acordam e corajosamente sorriem com vontade
Noutros é apenas um outro dia para sofrer

E das varandas , cabisbaixos e sem muito entusiasmo
Pedem em silencio ... socorro

Dirão que a vida foi assim !
E como marionetes de uma peça de teatro assistido apenas por elas
Percebem que ninguém lhes agraciaram com palmas
E voltam a contar seus feitos inúteis a quem lhes dedica alguma atenção

E assim fixo meus olhos neles
Algo como “Enxergar o meu futuro”
E pelas ruas observo os olhos deles
Acredito que se perguntados da hipotese de voltarem ao passado e mudar algo
Fariam dividas e pagariam sorridentes essa possibilidade
E até dormem sonhando com isso
Pq qdo sonhamos , todos nós nos tornamos o que queremos
E a grande frustração acontece todos os dias ao acordarem ...

Tudo deixamos para depois
“Amanhã dará tempo”
“Devagar se chega ao longe”
“Qdo me aposentar , farei”
E a vida se vai ... até se encontrarem quietos a balançar o que lhes restaram
Numa dessas varandas por aí ...

Uns alegam sapiência
Outros Paciência
Nunca assumirão covardia
Pois tudo se resolve um dia

Então paro pra pensar que não quero ficar como eles
Sentir alegria por tanta acumulo de tristeza
Nem me achar forte por ter agüentado dores que não eram minhas
Muito menos falar horas e horas sobre as doenças que adquiriu
Dos tratamentos que fez
Dos filhos que lhe deixaram
Da solidão

Repensando nisso ... Gostaria de envelhecer só
Mas sabendo de cada passo que dei , e que foram dados conscientemente por mim
E que mesmo que surpresas vieram
Foram pq deixei que viessem

Não quero previsões e planejamento
Só não quero amargar um olhar tão triste como os que vejo
De vidas que poderiam ter sido tão mais aproveitadas
Que a vida pudesse ter sido regida
Passaram a ser meros expectadores de tantas manhãs e anoiteceres
E agora , embalados por um resto de vida
Esperam descanso a suas almas ...

Fabricio Marchi

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Do crescer que não quero ...


.
.
Da criança sem limites e inconseqüente
Da alegria imbecil e incoerente
As pessoas e a vida mostraram-me
Que o que antes se tornava graça sem motivo
Hoje preciso de esforço para rir

Sempre quis ser “gente grande”
Daqueles de cinema , impassíveis , sérios
Engraçado que me esforcei tantas vezes em matar o menino
Hoje sinto falta de não me achar feio
De ser indiferente as tristezas e ao destino

Como criança que cai , se machuca , mas levanta em seguida
Antes bastava sorrir pra sentir que nada tinha mais importância
Que o mundo que eu criava
Hoje , vivido , forte
Não consigo sustentar meu peso

Achei quando jovem , que jovem permaneceria eternamente
Daqueles que mudam a vida de alguém
Que mostra que ela é divertida
E eu equivocado , acabei descobrindo
Que cada um faz sua vida em sua solidão , em suas certezas , sozinhos
E que posso ser inconveniente
Muitas vezes infantil , irresponsável
Mostrar a facilidade de outros caminhos

E então tenho desistido do menino sonhador
Da ideologia sem causa
Leve menino que das dores alivia
Para olhar-me diante do espelho e ver que nada fui
Nada construí ... e que hoje me cobram por ser senhor
Mas o que desejar de uma vida que pode acabar daqui a pouco ?
Que riqueza levaremos senão a sensação de uma alma leve de criança ?

Quem sofre menos
O menino que se dizia frágil
Ou o homem que passou a sorrir vagamente ?

A vida com seus exemplos respondeu-me cruelmente :

“Perca a fantasia , homem
As crianças se perderam ...
Preferiram enfrentar o mundo , crentes que o venceriam
Que seus troféus são as cicatrizes que ostentam
Arranhados entre os gravetos
Sangrando marcas
Essas tornam-se homens
Pois sabem agora o que desviar
Antes escolhessem seguir seus corações de crianças
Teriam aproveitado tão melhor , o jardim florido que ergui sobre suas cabeças !”

Desde então o menino apenas observa
Ao mesmo tempo que o homem chora sua saudade
De alguma virtude que ainda preserva
Tentando adequar sua própria idade ...

Fabricio Marchi